Entrevista com Sérgio Cavalieri – Responsabilidade empresarial com princípios cristãos

Fonte: Jornal da Cidade

O empresário paulistano Sérgio Cavalieri adotou Minas Gerais para morar e desenvolver seus negócios. Bisneto de imigrantes italianos e ingleses que vieram trabalhar em Nova Lima e Itabirito no século 19, ele faz parte da 3ª geração de uma família empreendedora e pioneira em diversas áreas de negócios. Aos 60 anos, foi empossado como presidente da Uniapac Latino-Americana e atualmente é presidente da Associação de Dirigentes Cristão de Empresa. Nesta entrevista ao JORNAL DA CIDADE, fala sobre os desafios à frente das duas entidades.

 

JORNAL DA CIDADE O senhor acaba de ser empossado como presidente da Uniapac Latino-Americana. Qual a importância dessa entidade no meio empresarial?

 

Sérgio Cavalieri A Uniapac é uma entidade mundial que congrega associações de dirigentes cristãos em quase 40 países. Uma organização civil sem fins lucrativos, formada por uma confederação de ADCE´s em todo o mundo, que visa aproximar empresários, dirigentes de empresas e profissionais, com o objetivo de aprofundar, difundir, implantar e praticar os princípios do ensinamento social cristão, com seus valores, tanto na sua conduta pessoal como nas suas atividades empresariais e profissionais. A Uniapac possui um papel relevante no desenvolvimento da sociedade, tanto pela sua missão quanto pela sua representatividade, capilaridade e capacidade de mobilização e interação com demais agentes da sociedade.

 

Quais os objetivos do senhor à frente da Uniapac?

 

Um dos desafios como presidente da Uniapac L.A. será o de promover a integração e aumentar o número de países membros na região. Temos o desafio também de ampliar o projeto “Empresa com Valores”, implantado recentemente no Brasil em parceria com a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Esse projeto tem o objetivo de levar para os empresários de todo o país, conceitos da responsabilidade social empresarial com base  nos princípios cristãos, e mostrar como esses conceitos são aplicáveis no dia a dia, não custam mais e, além disso, trazem maior competitividade, lucratividade e perenidade para as empresas.

 

A Associação de Dirigentes Cristãos de Empresa (ADCE) existe como uma forma de troca de informações entre empresários. O senhor acredita que é possível o empresário obter lucros, mas proporcionando renda e condições melhores de trabalho para as pessoas?

 

Soa como paradoxo para alguns quando dizemos que proporcionar renda e melhores condições de trabalho para as pessoas, aumenta a rentabilidade dos seus negócios. Atualmente, com todas as mudanças que o mundo está passando, não dá mais para se gerenciar um negócio como era feito no passado. Dificilmente, um empresário de hoje terá sucesso com seu negócio pensando apenas no lucro. Para construir um negócio sustentável, competitivo e com perspectivas de futuro, uma administração ética e responsável é indispensável. Em primeiro lugar é fundamental que o dirigente respeite e valorize todas as pessoas envolvidas: colaboradores, suas famílias, a comunidade onde está inserida, os clientes, os fornecedores, e até mesmo as gerações futuras, zelando pelo meio ambiente em que elas irão viver. Essa  postura reflete na melhoria das condições de trabalho, no desempenho dos colaboradores e na lucratividade da empresa.

 

Como a ADCE vem atuando em Minas Gerais?

 

A diretoria da ADCE Minas trabalha fortemente na divulgação do trabalho da associação, realizando eventos que mostram o propósito da entidade e unem os empresários entorno da causa, na ampliação do número de sócios, na realização de projetos de formação, como os Encontros de Reflexão, realizados a cada seis meses e que têm reunido cerca de duas centenas de dirigentes por ano. Os resultados têm sido muito positivos e animadores.

 

Na opinião do senhor, quais são hoje as maiores responsabilidades do empresário brasileiro?

 

Produzir produtos e serviços que sejam bons e efetivamente úteis para a sociedade. Gerar bons empregos, criar riqueza de forma sustentável e justamente distribuída para todos os envolvidos. Se todos os empresários contribuírem com sua parte, teremos empresas melhores e um país melhor.

 

Fale um pouco sobre o Projeto Nacional de Responsabilidade Social Empresarial "Empresa com Valores".

 

O Projeto é uma parceria entre a ADCE e a CNBB. Ele disponibiliza para empresários um protocolo padrão desenvolvido pela Uniapac, indicando caminhos para a empresa se adequar nas diretrizes social, econômica e financeira e de sustentabilidade, sempre com foco no ser humano. Entre as ações, estão previstos a formação de grupos de estudos espalhados por todo o país criando um espaço aberto para a troca de experiências e conhecimento entre dirigentes, parcerias com universidades para desenvolver curso de responsabilidade social a distância, centrado na vida humana. Mais à frente haverá a inserção dos grupos nas redes sociais, com o objetivo de compartilhar as informações, disseminar conteúdos, melhores práticas, ideias, constituindo-se em um grande movimento em prol da gestão ética e voltada para o bem-estar das pessoas, sem esquecer dos resultados e do lucro, indispensáveis para a sustentabilidade econômica dos negócios. As pessoas vão se encontrar em seminários regionais e congressos nacionais, pois nada substitui o relacionamento pessoal e o contato humano. O projeto tem objetivo de longo prazo e não tem uma data para terminar. O objetivo da CNBB e da ADCE é que a sociedade se aproprie do projeto, colhendo e multiplicando os seus frutos. Atualmente a CNBB conta com 44 arquidioceses, 234 dioceses e cerca de 8 mil paróquias que representam uma força enorme apoiando o projeto.

 

Na opinião do senhor, o Brasil está no caminho certo para conseguir melhorar a relação de trabalho entre empregado e empresa ou ainda temos muito que aprender?

 

Os empresários e os próprios trabalhadores sim, mas o país não, pois tem uma legislação totalmente anacrônica e que funciona como uma barreira impedindo que esta relação seja mais madura e com resultados melhores para as partes. A legislação demoniza o empregador, infantiliza o trabalhador e gera um clima de desconfiança, de conflitos e com custos muito altos para ambos e para a sociedade. Somos menos competitivos em função de custos trabalhistas que são assumidos pelas empresas, repassados para os custos dos produtos e que não geram benefícios diretos para os trabalhadores. É necessário um grande entendimento na sociedade para se promover uma verdadeira mudança nesta relação. Somos maduros o suficiente para encarar novas maneiras de harmonizar esta relação, com mais liberdade, flexibilidade, respeito, entendimento e valorização do papel da empresa e do trabalhador.

PERFIL

NOME – Sérgio Cavalieri
HOBBY – Jogar tênis e caminhadas
LIVRO – "A hora da verdade", de Jan Carlzon
UMA FRASE – Amar ao próximo como a si mesmo
MINI-CURRÍCULO – Presidente do Conselho de Administração da ALE Combustíveis S.A., membro dos Conselhos de Administração da Codeme Engenharia, Metform Produtos de Aço, e Ativas Data Center;  vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), membro do Conselho Permanente de Responsabilidade Social da CNI – Confederação Nacional da Indústria.


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