UNIAPAC Internacional manifesta apoio à encíclica do Papa Francisco
Presidente da entidade José Maria Simone convoca líderes empresariais à ação
No dia 18 de junho o Vaticano publicou a primeira encíclica Laudato Si (Louvado Sejas) pelo Papa Francisco, documento que conclama não apenas a comunidade cristã, mas a todos para empregarem seus esforços na luta contra a devastação do meio ambiente e o consumismo desenfreado. O Papa considera na sua Carta que o meio ambiente é um bem comum e é responsabilidade de todos preservá-lo para as próximas gerações. Francisco também ressaltou a necessidade de considerar as demandas dos pobres, dos fracos e dos vulneráveis.
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Reconhecendo o forte apelo do documento, a União Internacional de Dirigentes Cristãos de Empresa (UNIAPAC), que representa todas as ADCEs pelo mundo, por meio de seu presidente, José Maria Simone, endossa a iniciativa do papa e convoca os líderes empresariais à ação. Simone ressaltou a necessidade dos dirigentes de empresas se alinharem as propostas do pontífice como provedores de trabalho digno e estável para todos.
“Como empresários nos sentimos encorajados pelo Papa quando ele escreve que Ser um líder empresarial é uma nobre vocação, direcionada para produzir riqueza e melhorar o nosso mundo. Eles podem ser uma frutífera fonte de prosperidade para as áreas nas quais operam, especialmente se eles enxergam a geração de postos de trabalho como uma parte essencial do seu serviço para o bem comum’”, ponderou Simone.
O Presidente da UNIAPAC destacou a dura crítica do Papa sobre a ganância e a mera maximização de lucros como finalidade última dos negócios, e ressaltou a opinião equilibrada do pontífice sobre o desenvolvimento tecnológico.
“O Papa demonstra entusiasmo com o avanço da ciência e tecnologia. Francisco enxerga imensas possibilidades para a humanidade se desenvolver, mas adverte para não seguirmos cegamente o paradigma tecnológico e esquecermos de buscar soluções e mudanças no comportamento da humanidade”, explica Simone. “O Papa clama pela necessidade de aliar o desenvolvimento tecnológico com a cultura da ética e uma espiritualidade genuína capazes de estabelecer limites e criar a consciência das restrições humanas”, conclui Simone.
Sobre os esforços para coibir o desperdício de recursos naturais e potencializar seu reuso de forma correta, Simone reconheceu a importância de se interiorizar os custos externos tanto na contabilidade empresarial como nas estatísticas nacionais de cada país. “Em minha opinião, existe um consenso muito amplo que o as negociações de crédito de carbono é uma maneira apropriada de interiorizar custos externos e uma contribuição para solucionar os desequilíbrios ambientais, logicamente se os créditos forem usados de maneira responsável, postura semelhante que se espera seja adotada para o uso dos recursos naturais” comentou o presidente.
Simone reconhece ainda a responsabilidade social das empresas para com os menos favorecidos, e ressalta que esta atitude fortalece o correto funcionamento de uma economia de mercado livre e verdadeiramente competitiva. “Como líderes empresariais cristãos, nós aceitamos o chamamento do Papa para empenhar nossos maiores esforços em todos os aspectos e abordagens ecológicas, sempre sob uma perspectiva social que deve levar em conta os direitos fundamentais dos pobres e dos menos privilegiados, pois sobre todo ativo privado existe uma dívida social a ser resgatada” conclui Simone.
A UNIAPAC pretende realizar posteriormente uma reflexão mais profunda sobre a carta do Papa e a importância da ação dos dirigentes empresariais, e publicará esta análise num futuro documento.